Palavra do Presidente
I CONSEG - PARA ONDE CAMINHA A SEGURANÇA PÚBLICA NO BRASIL?
Arlindo Teixeira
Nos dias 27 a 29 de agosto passado aconteceu em BrasÃlia a I Conferência Nacional de Segurança Pública. Mais de três mil pessoas entre representantes da sociedade civil, dos trabalhadores e dos gestores da área, além de convidados e observadores participaram do evento. A CONSEG aconteceu após 1.359 reuniões - compreendidas entre seminários e conferências municipais, estaduais e livres. A ADEPPE (Associação dos Delegados de PolÃcia do Estado de Pernambuco) realizou sua Conferência Livre intitulada “Reforma da PolÃcia Brasileira: o papel da polÃcia judiciária”, no dia 20 de julho último.
Ao final do encontro foram aprovados 10 princÃpios e 40 diretrizes que, em tese, deverão nortear a polÃtica pública de segurança a ser implantada no PaÃs. Temas polêmicos foram discutidos. Dentre eles, a desmilitarização da segurança pública, o ciclo completo de polÃcia, a criação da “polÃcia penal”, a redução da menoridade penal, a criação de delegacias especÃficas para minorias, a municipalização da segurança e a reestruturação das guardas municipais para que atuem no policiamento ostensivo.
Desmilitarização. Temos em nosso paÃs polÃcias militares seculares como as de Pernambuco, Minas Gerais, São Paulo e a Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Será que o apelo dos policiais militares não graduados em não serem submetidos ao regime disciplinar tão rigoroso que conduz as arbitrárias e insustentáveis prisões disciplinares, bem como o anseio da sociedade, nitidamente observada durante o transcorrer da CONSEG, em ter uma polÃcia mais cidadã e menos bélica, não poderiam se compor numa redefinição do perfil das policias militares?
Ciclo completo de polÃcia e sua rejeição. Quem ler os princÃpios e diretrizes aprovados encontrará contradições entre estes. Aqui temos uma delas. Foram aprovadas ao mesmo tempo uma diretriz que acolhe e outra que rechaça a ideia de ciclo completo de polÃcia Fortalecer a ideia de um delegado natural com atribuições e competência territorial previamente estabelecidas é de fundamental importância, qualquer outra medida distante disto coloca em cheque os direitos humanos.
Guardas municipais como polÃcias municipais. Foi fortalecida a tendência de se dispor maiores atribuições aos municÃpios no tocante à segurança pública. Evidente que as grandes cidades - as capitais e algumas outras poucas- deverão ter sua guarda municipal dotada de funções de polÃcia ostensiva. Deve-se ter cuidado com as cidades menores para que não tenhamos distorções.
É isto. Todos foram ouvidos. E agora?



